Anteriormente em "Na contramão do mundo"
Ontem foi com estranheza e gosto de fel na boca que respondi para Verônica, na Igreja: "Não. Nunca tem." Ela havia me perguntando se tinha alguém sentado ao meu lado. Mas a resposta nem foi pensada, foi automática. Nunca tem mesmo. Não sou do tipo que tem grupo certo, pessoa certa para sentar comigo. Misterioso quadro numa movimentada sala de visitas. Tudo vê, tudo ouve. Mas é só um quadro.
O ensaios de "A mente capta" seguem em bom ritmo. A cena de Giulia e Luisa já está preparada e a de Lívia e Giulia rascunhada. Acho que vai ficar muito bom.
08/06/09
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Hoje foi um dia estranho.
Uma confusão, um emaranhado de sentimentos me invadiu a alma sem pedir liçença, despertando sentimentos que eu acreditava há muito adormecidos.
Essa proximidade com o dia dos namorados me perturba um pouco. Ainda mais no trabalho, é gente o tempo todo comprando presente para o ser amado. Estranho. Muito estranho.
O dia termina frio. Quase tão frio quanto eu.
09/06/2009
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O que me sufoca é essa sensação de vazio, essa solidão que me acompanha desde sempre, esse grito preso na garganta, esse choro reprimido, essa vontade de ser importante para alguém, de não me sentir sozinho no mundo. Esses dias de angústia, de abismo, de voz ecoando no deserto são desalentadores. No fim, cada um só se importa consigo mesmo e o resto é esterco. Sinto que vou morrer a qualquer momento, e após o meu enterro voltarei a ser somente "aquele menino que cantava no louvor" ou "aquele menino que fez teatro comigo".
Mundo, não me aborreça.
13/06/2009
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Grey's Anatomy
Desaparecimentos podem acontecer na ciência. Doenças podem se enfraquecer de uma hora para outra, tumores podem desaparecer e a gente abre alguém todo pra descobrir que o câncer foi embora. É inexplicável e raro, mas acontece. É o diagnóstico errado. A gente fala que não viu da primeira vez ou qualquer explicação, menos a verdade. Que a vida é cheia de atos de desaparecimento. Se algo que a gente não sabia que tinha, desaparece... a gente vai sentir falta?
Eu desapareci.
26/06/2009
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Porque eu ainda vou à equipe?
Porque ainda insisto em compartilhar algo com aqueles que já não compartilham mais nada comigo? Se antes eu já era a peça que sobrava, agora é muito pior. Não temos mais nada em comum, e como me dói constatar isso. A equipe mudou, eu mudei muito. Estou endurecido, amargurado, com o coração seco.
Eu não sei porque ainda vou, é sempre esse tormento, essa dor grave ressoando em cada parte do meu ser. É tão pesado que me falta o ar, sinto que estou enlouquecendo, perdendo o equilibrio a todo instante. Na última quarta, tive a sensação de que seria a minha última reunião.
Eu insisti o quanto pude, até o último fiapo das minhas forças.
Mas agora já não dá mais.
29/06/2009
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Grey's Anatomy
Milagres médicos existem. Coisas acontecem. Não podemos explicá-las nem sequer controlá-las, mas elas acontecem. Milagres acontecem na medicina. Acontecem todos os dias, mas nem sempre acontece quando precisamos deles.
[...]
Ao fim de um dia como este, quando tantas preces são respondidas e tantas não são, nós aceitamos os milagres seja lá de onde eles vierem. Nós atravessamos o abismo e, às vezes, contrariando todas as probabilidades e lógica, chegamos ao outro lado...
Contrariando todas as probabilidades, isso acontece.
10/07/2009
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Grey's Anatomy
As pessoas possuem cicatrizes. Em todos os tipos de lugares inesperados. Como mapas secretos de suas historias pessoais. Diagramas de suas velhas feridas. A maioria de nossas feridas podem sarar, deixando nada além de uma cicatriz. Mas algumas não curam. Algumas feridas podemos carregar conosco a todos os lugares, e embora o corte já não esteja mais presente há muito, a dor ainda permanece.
O que é pior, novas feridas que são horrivelmente dolorosas ou velhas feridas que deviam ter sarado anos atrás mas nunca o fizeram? Talvez velhas feridas nos ensinem algo. Elas nos lembram onde estivemos e o que superamos. Nos ensinam lições sobre o que evitar no futuro. É como gostamos de pensar. Mas não é o que acontece, é? Algumas coisas nós apenas temos que aprender de novo, e de novo, e de novo.
12/07/2009
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Neste ano, foi muito oportuno o orkut não avisar meu aniversário. Fciou muito claro quem realmente se importa, quem realmente são os meus amigos. São aqueles que não precisaram de orkut, nem de e-mail para lembrar. Isso mudou muita coisa em mim, o conceito que eu tenho sobre os grupos com os quais me relaciono.
Ninguém da equipe lembrou. Se lembrou, não telefonou, não mandou uma mensagem, nada. Mas por incrível que pareça isso me era totalmente previsível.
Depois do episódio que dilascerou minha vida pessoal no ano passado, eu compreendi que para a equipe, o errado na história toda fui eu. Que eu não tinha o direito de me sentir como eu me sentia. E desde então eu sinto que atrapalho, que não estou no lugar certo.
Esse mês de julho foi definitivo.
19/07/2009
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A morte de alguém de perto nos dá o estranho choque de realidade: Somos perecíveis, não existem super-heróis. Então vem o lance de tentarmos realizar a maior quantidade de boas coisas enquanto podemos. E também tem a história de tentar aproveitar ao máximo cada momento com as pessoas que amamos.
05/08/2009
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Regular ou excelente?
Na infância era com as matérias da escola. Você podia até se dar mal em nove, mas em uma você era excelente, você tinha que ser. Na adolescência tem a crise de quando parece que nunca descobriremos no que somos "feras".
Mas e quando já na vida adulta, parece que você insiste em investir em uma coisa que você só recebe "Regular" no conceito? Quando você olha para trás e percebe que você esteve sempre ali, mas apenas cobrindo buraco, fazendo "escada" para os outros?
Não que eu tenha problema com isso. O problema é a estranha sensação que tenho, de que estou insistindo no que sou "regular" quando existe algo em que eu receberia um "excelente".
Amo o teatro. Mas acho que ando cansando em ser sempre "regular".
13/08/2009
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Estou cansado de ser vilipendiado, incompreendido e descartado
Quem diz que me entende nunca quis saber
Aquele menino foi internado numa clínica
Dizem que por falta de atenção dos amigos, das lembranças
Dos sonhos que se configuram tristes e inertes
Como uma ampulheta imóvel, não se mexe, não se move, não trabalha
...
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
E esperam que eu cante como antes
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
Mas um dia eu consigo existir e vou voar pelo caminho mais bonito...
14/08/200
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E quando se descobre que ninguém vai tirar você do fundo do poço?
Você senta e chora?
Não!
E então você começa a perceber dentro de você uma força inimáginável.
Ouve novamente a canção do amor.
Vê Deus mais perto.
E começa a se lembrar de todos os motivos que você tem para ser grato.
Hoje foi o primeiro dia do resto da minha vida
17/08/2009
Escrito por Lênin Willemen às 18h34


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